Porque apoiar o PROVAB

Tenho muitos colegas médicos e alguns bons amigos que condenam o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (PROVAB). Tem suas razões e apresentam argumentos absolutamente defensáveis. Respeito a opinião de todos, mas penso diferente. Creio que o PROVAB tem pontos positivos e é uma oportunidade para as entidades médicas na nossa luta pela Carreira Médica no SUS. Vou apresentar alguns argumentos.

Atualmente, cerca de 6.000 médicos que se formam todos os anos não conseguem vaga em programas de residência médica e vão direto para o mercado de trabalho. Em geral para serviços de urgência ou para o interior. No interior ficam à mercê de prefeitos inescrupulosos que os exploram. Não tem contrato de trabalho; nenhuma garantia social. Muitos levam calote no terceiro mês de trabalho; não tem qualquer apoio técnico; são demitidos se não rezarem na cartilha de prefeitos e vereadores que apoiam o prefeito.

O PROVAB vai dar a 2.000 médicos vínculo celetista, benefícios sociais, direitos trabalhistas, estabilidade contra demissão imotivada, supervisão presencial e à distância por um preceptor ligado à Universidade, acesso à internet, telemedicina, curso de especialização em atenção primária e 10% de bônus para ingresso em programas de residência médica de acesso direto (clínica médica, saúde da família e cirurgia geral, p. ex.). A remuneração será a média da região e um fator para o médico aceitar – ou não – participar. Não poderão baixar estes valores sob pena de ficar sem médicos.

Em 2012 o programa será experimental e o médico que participar não poderá continuar no programa caso ele seja mantido em 2013. Uma comissão de acompanhamento vai avaliar se o governo federal e municípios estão cumprindo o que está nos editais. As entidades médicas nacionais tem assento na referida comissão e poderão fiscalizar o andamento do programa com o apoio das entidades médicas regionais. A avaliação final do programa experimental será realizada em fevereiro de 2013.

O PROVAB é dirigido a municípios que tem extrema dificuldade na contratação de médicos. Estes municípios pressionam para que a Estratégia saúde da Família seja feita sem médicos. Não podemos aceitar isso. Todos os brasileiros têm direito à saúde e à assistência médica.

Se os governos não cumprirem o que está nos editais, e foi acertado com as entidades médicas, denunciamos o processo, alardeamos seu fracasso e teremos muita força para exigir, em nome da sociedade, a carreira médica estadual de base municipal como única alternativa viável para garantir a presença de médicos em todos os municípios brasileiros.

Doenças da enchente aparecem em até 60 dias

Rio – Além de todos os transtornos causados pelas fortes chuvas que atingiram o Rio de Janeiro nos últimos dias, a população afetada ainda precisa se preocupar com outro problema: as doenças que as enchentes podem causar, especialmente em idosos e crianças, por conta do organismo mais frágil. Especialistas alertam que, dependendo da enfermidade, a vítima pode até morrer. Algumas doenças levam até dois meses para se manifestar.

Uma das principais doenças causadas pelo acúmulo de água é a leptospirose, transmitida pela urina dos ratos. O mal costuma ter alta ocorrência quando as pessoas começam a limpar suas casas e têm contato com a água e a lama contaminadas.

O superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria de Estado de Saúde, Alexandre Chieppe, explica que, para evitar a contaminação, as pessoas devem se proteger no momento da limpeza. “O ideal é usar luvas e botas bem amarradas. Caso não possuam esses itens, usem sacos plásticos nas mãos e nos pés. A higienização cuidadosa também é essencial”, alerta.

RISCO DE DOENÇAS CONTAGIOSAS

Chieppe ainda relembra que é preciso prestar atenção na aparência da água ou de alimentos antes de ingeri-los.

“Por serem mais frágeis, crianças e idosos devem redobrar a atenção.”

Além da leptospirose, doenças diarreicas, hepatite A, meningite e tétano também são comuns.

O infectologista da Sociedade Brasileira de Imunização André Cunnerow alerta que um grande problema é o momento em que os sintomas aparecem.

Enquanto a hepatite A e a leptospirose são identificadas rapidamente, outras podem demorar, o que aumenta o risco. “As causadas por vermes só aparecem entre 30 e 60 dias após a contaminação. As pessoas não podem se descuidar. Precisam ir ao médico assim que notarem sintoma.”

TÉTANO

A doença pode ser prevenida com vacina. As pessoas que ainda não se vacinaram, ou não tomaram a dose de reforço depois de dez anos da primeira aplicação, devem procurar postos de saúde para receberem a injeção.

DIARREIAS E HEPATITE A

A atenção deve ser redobrada na ingestão de água e alimentos. Mesmo que o líquido venha de caminhões-pipa, ferva e filtre a água. Outra opção é diluir duas gotas de hipoclorito de sódio em um litro de água por 30 minutos para eliminar as bactérias.

LEPTOSPIROSE

As pessoas que já tiveram contato com a lama devem ter o hábito de higienizar muito bem a parte do corpo que tenha ficado suja. Procure sempre usar luvas, botas ou sacos plásticos para proteger os membros na hora da limpeza e evitar o contágio.

MENINGITE

Se estiver em ambientes fechados, evite o contato físico com pessoas que apresentem vômitos constantes, febre alta, fortes dores de cabeça, fraqueza e manchas vermelhas parecidas com os sinais de picadas de mosquito.